Moderação: a virtude dos sábios

Moderation

Lembro-me bem de ter escutado de alguém mais experiente e mais lúcido que eu afirmar que a solução do meio é sempre a mais prudente. Nem tanto ao norte, nem tanto ao sul.

Mais sensata parece ser a solução que avalia e pondera, aquela que modera os melhores desfechos, desde uma visão ampla e global do cenário.

Pensando nos acontecimentos de minha própria vida, vejo que pouco ou quase nada aprendi sobre moderação. A verdade é que sempre acreditei que abundância estava ligada a fartura, a excessos, a sobras. Seria isso o antônimo de escassez. E escassez sempre trouxe o estigma pejorativo, o  assustador medo da ausência, da falta, do “não ter”.

O que não sabia, porém, era que, muitas vezes, são esses mesmos excessos que nos fatigam, que nos deixam pesados e que nos fazem sentir-nos incapazes de decidir com sabedoria. São os excessos que nos levam à percepção errônea de identificação com o que temos. Confundimos quem somos com o que temos. Identificamo-nos com coisas, com objetos, com bens materiais, com um corpo físico. E o fazemos inconscientemente, pois são esses os valores que a sociedade na qual estamos inseridos nos ensinam como corretos.

Diversas doutrinas filosóficas e espirituais pregam a moderação como virtude dos sábios e elevados de espírito.

No Livro de Provérbios, na Bíblia, há o seguinte ensinamento: “[…]Achaste mel? Come o que for suficiente: se comeres demais, tu o vomitarás. (…) Comer mel em demasia não é bom: usa de moderação nas palavras elogiosas […]”

Já o Budismo defende que o caminho do meio, aquele que leva à iluminação é um caminho de moderação entre a auto indulgência e a auto mortificação. A moral budista baseia-se na preservação da vida e na moderação.

O Epicurismo, sistema filosófico baseado nos ensinamentos do ateniense Epicuro de Samos, prega a busca dos prazeres, com moderação, a fim de atingir um estado de paz e de libertação do medo. Segundo Epicuro, para ser feliz seria essencial controlar os medos e desejos, a fim de experimentar um estado de prazer estável e equilibrado e, consequentemente, um estado de tranquilidade e ausência de perturbação.

Séneca (filósofo estoico), por sua vez, defende que é feliz o homem virtuoso, aquele que sabe moderar seus desejos, controlar suas paixões e orientar sua vontade. Bens materiais, dinheiro e diversão não seriam a origem da felicidade. Ser feliz, segundo o estoicismo era cultivar a moderação, a serenidade, o equilíbrio e a calma, em todos os momentos da vida.

Diante de todas essas reflexões, chego à seguinte conclusão: um homem moderado é, normalmente, alguém a ser imitado.

Devemos, assim, conhecer e respeitar os limites- seja nas relações sociais, seja na vida individual-; viver segundo a prudência do equilíbrio e, assim, cultivar a paz da mente e do espírito.

Talvez o que esteja faltando no vocabulário de nós, brasileiros, criados em uma sociedade extremamente consumista e individualista, seja moderação.

Eu decidi que este será meu mantra pelos próximos meses. Quem sabe não seja um belo exercício o de trabalharmos a moderação em nossas vidas.

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Lara Lobo

Sou, assim como vocês, uma buscadora! Curiosa, viajante, fotógrafa amadora e praticante de tudo o que traz equilíbrio à vida. Escritora por terapia, comunicadora por vocação, estudiosa por paixão. Engajada em conhecer-me cada vez mais e, assim, poder ajudar cada vez mais pessoas a também se conhecerem. Alguém que anseia partilhar caminhos, reflexões, jornadas e hábitos que conduzam a uma vida mais equilibrada. Diplomata e professora de Yoga por amor.