TER cada vez menos, SER cada vez mais

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Reflexões após a leitura do livro de Marie Kondo, “ A mágica da arrumação”

Sempre fui uma fã da abundância. Desde pequena, meu pai me dizia: “…mas você nunca está satisfeita com nada, já percebeu?”. Eu tinha 10 anos. Nem entendia o que ele estava querendo dizer, mas sabia de algo: eu queria sempre mais.

E não estou falando aqui somente em bens materiais. Sempre fui uma pessoa ambiciosa (no bom sentido). Queria aprender não só inglês, mas espanhol, francês, italiano e até alemão (!). Queria conhecer não apenas os Estados Unidos, para onde todos os meus colegas viajavam. Meu desejo era ir além. Não desejava o convencional; queria mais.

Essa minha natural inclinação a ser “um ponto fora da curva” me fez deixar pra trás- fisicamente- as pessoas que eu mais amava e ir em busca de um sonho profissional. Posteriormente, essa mesma inquietação me levou até o continente africano. Foi lá que a transformação tomou prumo, que a revolução interna começou a acontecer. E, desde então, o coração passou a pulsar com mais força, quase pedindo pra sair do peito.

Hoje, em terras andinas, esse ímpeto por buscar mais sentido em tudo o que faço tem me colocado em contato com experiências, pessoas e livros sensacionais. A inquietação se voltou pra dentro, pra alma. Esse desejo de abundância, afinal, só poderia ter origem em um lugar bem mais profundo [pra quê local melhor?]. E era lá mesmo….lá no coração que ele estava.

Eu só queria ser mais EU. SER…

E, assim, esse mesmo desejo fez chegar em minhas mãos o livro da japonesa especialista em organização Marie Kondo (“A mágica da arrumação”). Para muito além de orientar acerca da necessidade de descartar fisicamente TUDO aquilo que não nos serve, o livro nos traz uma mensagem mais profunda: desfazer-se de objetos inúteis exige uma análise interior.

Como? Mas, e o que jogar coisas fora tem a ver com olhar pra dentro?, você deve estar se perguntando. A resposta é: tem TUDO a ver. E é exatamente a respeito disso que o livro trata. Depois de empilhar toda uma categoria de objetos, devemos segurar cada um deles com as duas mãos e fazer a seguinte pergunta: este objeto me traz felicidade? Ele realmente gera em mim alegria? O segredo é não pensar muito na resposta. Deixar que ela venha automaticamente. O incrível, ao fazer o exercício de descartar, é perceber que a grande maioria do que temos não nos traz qualquer sensação de felicidade. São apenas objetos inanimados, que não evocam qualquer sentimento.

O livro também aborda outra questão muito importante: a necessidade de reconciliar-nos com nosso passado. Se não o fizermos, não viveremos com leveza o momento presente. Jogar fora lembranças, presentes, “souvenires”, o CD que um ex-namorado te deu; a primeira escova de dente do seu filho; os
botões reserva de roupas que você já nem possui mais; sapatos que você já não usa há anos, mas continuam no seu armário. Desfazer-se de coisas que, hoje, não têm nenhuma utilidade é também reconhecer que elas já cumpriram o papel que tinham de cumprir em suas vidas. Desapegar-se de objetos que “um dia” já foram importantes é deixar guardada na memória somente aquela recordação que te faz sorrir. Ao desfazer-se de todo o excesso ( e, olhe, a gente tem muito excesso, não é verdade?) você se sentirá mais leve.

E, de fato, sua casa ficará energeticamente mais leve, depois de retirada toda a tralha desnecessária. Ao colocar nas mãos cada objeto, seguindo o roteiro das categorias indicado por Marie Kondo em seu livro, você se dará conta de que, muitas vezes, comprou algo de que sequer precisava (na maioria das vezes). Entramos, assim, em contato com nossas fragilidades, nossos medos, imperfeições e tudo aquilo que nos levou a comprar impulsivamente algo desnecessário. O fato inconteste é que, muitas vezes, compramos para nos sentirmos mais seguros, para aplacar a ansiedade, para afastar a insegurança, para nos sentirmos mais “admirados”, para nos enquadramos em padrões estabelecidos, que ditam que devemos ter “X”, “Y”, e “Z” para sermos bacanas e estarmos na moda.

Quantos de nós nunca fomos ao shopping depois de uma semana estressante de trabalho ou de uma discussão com o parceiro, somente porque sentimos que “merecíamos nos presentear”, depois de tudo o que havíamos enfrentado? Aposto que 99% um dia já fizeram isso. Fico aqui pensando por que será que nunca nos ensinaram a, nestes momentos de angústia e estresse, entrar em contato com a natureza, tomar um bom banho de mar ou de rio, dançar e cantar. Tenho certeza que o resultado seria não só mais eficaz quanto mais duradouro.

No final, a grande lição do livro é a de que precisamos aprender a viver com o mínimo possível, com o essencial (em outro artigo falarei sobre o conceito de Minimalismo). Não precisamos de muito para sermos felizes e plenos. Quanto menos possuirmos em termos materiais, mais espaço abriremos para encher nossas vidas de significado e propósito. Que percamos menos tempo comprando e guardando coisas e ganhemos mais tempo vivendo e aproveitando cada experiência que a vida nos traz.

Que tenhamos menos e sejamos mais.

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Lara Lobo

Sou, assim como vocês, uma buscadora! Curiosa, viajante, fotógrafa amadora e praticante de tudo o que traz equilíbrio à vida. Escritora por terapia, comunicadora por vocação, estudiosa por paixão. Engajada em conhecer-me cada vez mais e, assim, poder ajudar cada vez mais pessoas a também se conhecerem. Alguém que anseia partilhar caminhos, reflexões, jornadas e hábitos que conduzam a uma vida mais equilibrada. Diplomata e professora de Yoga por amor.